Os sons de relaxamento comuns tocam cada camada no seu próprio tempo. Aqui todas obedecem a um só relógio: o seu fôlego. É isso que chamamos de modelo bioneural: um conjunto de equações que liga cada parâmetro do som a um ritmo do corpo. O nome é nosso, não um termo científico consagrado.
1 · O fôlego é o maestro
fr = rpm / 60 · b(φ) = sen²(π φ / 0,8) na inspiração, cos²(π (φ − 0,4) / 1,2) na expiração
O ritmo padrão é de 5,5 respirações por minuto (cerca de 0,09 Hz), com a expiração mais longa que a inspiração (40 % e 60 % do ciclo). Respirar perto de 6 vezes por minuto é a chamada respiração ressonante, que nos estudos de variabilidade da frequência cardíaca aparece ligada ao relaxamento. Das camadas desta câmara, é a mais bem estudada.
2 · O som se abre e fecha com o ar
g(t) = g0 (0,72 + 0,28 b) · fc(t) = 380 Hz · 21,6 b
Na inspiração, o mar cresce e o filtro se abre até cerca de 1.150 Hz. Na expiração, tudo recua e escurece até 380 Hz. O próprio som vira um guia: você não precisa contar, basta acompanhar a onda.
3 · O batimento desce sem saltos
f*(t) = ffim + (fini − ffim) · [1 − S(t)], com S(t) logística normalizada na rampa
O batimento binaural começa perto do estado de vigília (alfa, cerca de 10 Hz) e desce numa curva em S até o alvo da jornada. Na hipótese do arrastamento, o cérebro acompanha melhor um ritmo que muda devagar do que um salto brusco. No fim, uma rampa de volta a 10 Hz devolve você desperto, sem susto.
4 · Os ritmos se encaixam
n = round(f* / fr) · fb = n · fr
O batimento é sempre um múltiplo inteiro do fôlego. Cada respiração contém um número exato de batidas, então a fase dos dois ritmos se realinha no começo de cada inspiração: é a coerência de fase entre o som e o corpo. A mandala da tela tem n pétalas e dá uma volta por respiração, sem piscar.
5 · O binaural vira acorde
Ek = c0 rk − fb/2 · Dk = c0 rk + fb/2, com r = 1, 3/2, 2, 3 · ak ∝ k−0,8
O binaural comum é um tom só, que cansa. Aqui são quatro vozes em entonação justa (fundamental, quinta, oitava e quinta acima), todas com a mesma diferença entre os ouvidos. O batimento se reforça e o timbre fica musical. As portadoras ficam abaixo de 500 Hz, faixa em que o batimento binaural é percebido com mais clareza.
6 · Sinos, mar e espaço
sino: parciais 1 · 2,76 · 5,40 · 8,93 · órbita: θ(t) = 2π fr t / 3 · mar: ruído 1/f
Os sinos seguem as proporções típicas dos parciais de uma taça cantante e tocam no início da expiração, a cada quatro respirações, como âncoras de atenção. Uma voz suave gira ao redor da cabeça (som 3D) uma vez a cada três respirações. O mar é ruído rosa, de espectro 1/f, o mesmo perfil de muitos sons da natureza, e respira com você.