Dossiê do Firmamento · Cosmologias antigas · 3 min de leitura

Maias: os treze céus e o mundo-tartaruga

Calendários precisos, céus em camadas e os quatro sustentadores do céu

Os maias observaram o céu com uma precisão impressionante: o Códice de Dresden traz tabelas de Vênus e de eclipses; o calendário combinava ciclos de 260 e 365 dias; a pirâmide de Kukulcán, em Chichén Itzá, projeta uma serpente de luz nos equinócios. Ao mesmo tempo, a cosmologia maia descrevia uma terra plana — às vezes as costas de uma tartaruga ou de um crocodilo boiando no mar —, treze céus em camadas, nove níveis de mundo inferior e quatro deuses, os Bacabs, segurando o céu nos cantos do mundo. Para os pesquisadores do firmamento, os maias mostram que observar bem o céu nunca exigiu acreditar num globo.

Pontos-chave

  • Os maias contavam treze níveis de céu (Oxlahun Ti Ku) e nove de mundo inferior (Bolon Ti Ku).
  • O mundo inferior, Xibalbá, aparece no Popol Vuh, o livro sagrado dos maias quichés.
  • Quatro Bacabs sustentavam o céu nos quatro cantos; no centro havia a grande árvore do mundo, a ceiba.
  • O Códice de Dresden calcula o ciclo de Vênus (584 dias) com erro de poucas horas em séculos.
  • A pirâmide de Kukulcán tem 91 degraus em cada lado; somados ao patamar do topo, dão 365.

O que diz a versão oficial

Os arqueólogos reconhecem a precisão da astronomia maia, baseada em séculos de observação a olho nu. A cosmologia de céus em camadas, Bacabs e tartaruga é entendida como mitologia e simbolismo religioso, não como modelo físico da Terra.

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