Acervo apócrifo · Ditos e fragmentos · 3 min de leitura

Evangelho de Tomé

114 ditos secretos de Jesus, guardados por quase dois mil anos

O Evangelho de Tomé não conta a vida de Jesus: é uma coleção de 114 ditos, introduzidos quase sempre por “Jesus disse”. Começa assim: “Estes são os ditos secretos que Jesus, o vivo, disse e que Dídimo Judas Tomé escreveu”, e promete que quem encontrar a interpretação dessas palavras “não provará a morte”. Cerca de metade dos ditos tem paralelo nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas; a outra metade é desconhecida e misteriosa. O texto completo, em copta, foi encontrado em 1945 em Nag Hammadi, no Egito; fragmentos em grego já tinham aparecido em Oxirrinco no fim do século XIX.

Pontos-chave

  • Língua: copta (texto completo) e grego (fragmentos P.Oxy. 1, 654 e 655, achados entre 1897 e 1903).
  • Manuscrito completo: Códice II de Nag Hammadi (século IV), descoberto em dezembro de 1945.
  • Data da composição: debatida — entre o fim do século I e meados do século II.
  • Forma: 114 ditos, sem narrativa de nascimento, milagres, paixão ou ressurreição.
  • Tema central: o Reino já presente, escondido, que só se revela a quem busca e conhece a si mesmo.

O que dizem os estudiosos

Os estudiosos discutem se Tomé conserva tradições muito antigas, independentes dos evangelhos canônicos, ou se depende deles. Muitos o associam a correntes ascéticas da Síria do século II. Não fez parte do cânon, e Hipólito e Orígenes já o mencionavam como obra usada por grupos considerados heréticos.

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