Acervo apócrifo · Céus e visões · 2 min de leitura

Apocalipse de Pedro

Uma visita ao céu e ao inferno, um milênio antes de Dante

Escrito por volta de 135 d.C., o Apocalipse de Pedro é o texto cristão mais antigo que descreve em detalhes as punições do inferno e as alegrias do paraíso. No Monte das Oliveiras, Jesus mostra a Pedro o destino de cada pecador: blasfemos pendurados pela língua sobre fogo, assassinos lançados num lugar cheio de répteis, mentirosos mordendo os lábios. Os justos, ao contrário, vivem num jardim luminoso, de corpos brancos como leite e cabelos como arco-íris. O livro quase entrou no Novo Testamento e influenciou toda a imaginação medieval do além, até Dante.

Pontos-chave

  • Versões: etíope (completa) e grega (fragmento de Akhmim, encontrado com o Evangelho de Pedro).
  • Data: c. 135 d.C.
  • O Cânon Muratoriano (século II) o aceita, mas observa que “alguns não querem que seja lido na igreja”.
  • Clemente de Alexandria o tratava como Escritura.
  • As punições correspondem aos pecados (“olho por olho”).

O que dizem os estudiosos

Os estudiosos consideram o Apocalipse de Pedro uma obra judaico-cristã do início do século II, talvez escrita no contexto da revolta de Bar Kokhba. Foi lido em algumas igrejas até o século V, mas acabou fora do cânon.

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