Acervo apócrifo · Paixão e descida aos infernos · 2 min de leitura

Evangelho de Nicodemos (Atos de Pilatos)

O julgamento, os estandartes que se curvam e a descida de Cristo ao Hades

O Evangelho de Nicodemos tem duas partes. A primeira, os Atos de Pilatos, narra o julgamento de Jesus como se fosse um processo oficial: as testemunhas, os milagres lembrados por quem foi curado e até os estandartes romanos, que se curvam sozinhos quando Jesus entra. A segunda, a Descida aos Infernos, é contada por dois filhos de Simeão ressuscitados: uma luz invade o Hades, Satanás e o próprio Hades discutem com medo, as portas de bronze se despedaçam, e Cristo prende Satanás e leva Adão, os profetas e os justos para o Paraíso. Foi um dos livros mais lidos da Idade Média.

Pontos-chave

  • Língua: grego, com versões latinas, siríacas, armênias, coptas e eslavas.
  • Forma atual: século IV ou V; Justino Mártir (c. 155) já mencionava “Atos de Pilatos”.
  • A segunda parte é narrada por Carino e Lêucio, filhos de Simeão.
  • Fonte da cena da “Descida aos Infernos” (Anástasis) na arte bizantina.
  • Enoque e Elias aparecem no Paraíso, à espera do fim dos tempos.

O que dizem os estudiosos

Os estudiosos consideram a forma atual do texto uma composição do século IV ou V, que reúne tradições mais antigas. Não há registro histórico romano de “atos” do processo de Jesus. A obra foi decisiva para a doutrina popular da descida de Cristo à mansão dos mortos.

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