Acervo apócrifo · Paixão e descida aos infernos · 2 min de leitura

Evangelho de Pedro

Gigantes cujas cabeças tocam o céu e a cruz que fala

Em 1886–1887, uma missão francesa encontrou no túmulo de um monge em Akhmim, no Egito, um pequeno códice com um fragmento do Evangelho de Pedro, que até então só se conhecia de nome. O texto narra o julgamento, a crucificação e a ressurreição de Jesus, e contém a cena mais espetacular de toda a literatura apócrifa: os soldados que guardam o túmulo veem os céus se abrirem e dois homens descerem numa grande luz; a pedra rola sozinha; três homens saem do túmulo — as cabeças de dois deles chegam ao céu, e a do terceiro ultrapassa os céus —, seguidos por uma cruz. Uma voz pergunta: “Pregaste aos que dormem?”, e a cruz responde: “Sim”.

Pontos-chave

  • Manuscrito: códice de Akhmim (séculos VIII–IX), publicado em 1892 por Urbain Bouriant.
  • Serapião, bispo de Antioquia (c. 190), proibiu sua leitura na igreja de Rhossus (Eusébio, História Eclesiástica 6.12).
  • Data da composição: século II.
  • Herodes, e não Pilatos, dá a ordem da crucificação.
  • Jesus fica em silêncio na cruz, “como se não sentisse dor”.

O que dizem os estudiosos

Os estudiosos discutem se o Evangelho de Pedro depende dos evangelhos canônicos ou conserva uma tradição independente da Paixão; a maioria o data em meados do século II. Serapião o considerou suspeito de docetismo (a ideia de que Cristo só parecia sofrer).

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