Dossiê do Firmamento · Pioneiros · 3 min de leitura

Samuel Rowbotham e a Astronomia Zetética

O canal de Bedford, 1838: o barco que não sumiu

Em 1838, o inglês Samuel Birley Rowbotham entrou nas águas do Old Bedford Level, um canal retilíneo de cerca de dez quilômetros nos pântanos de Cambridgeshire, e observou com uma luneta, a poucos centímetros da água, um barco com uma bandeira se afastar até o fim do trecho. Segundo ele, o barco continuou visível o tempo todo — o que seria impossível se a água se curvasse. Com o pseudônimo “Parallax”, Rowbotham transformou o experimento num método, a Astronomia Zetética (de zētéō, “investigar”), e num livro, Earth Not a Globe, que fundou o movimento moderno da Terra plana.

Pontos-chave

  • Samuel Birley Rowbotham (1816–1884) publicou o folheto Zetetic Astronomy em 1849 e o livro Earth Not a Globe em 1865 (ampliado em 1873 e 1881).
  • O trecho do canal entre Welney e a ponte de Old Bedford tem cerca de 6 milhas (9,7 km) em linha reta.
  • Pela conta do globo, um alvo junto à água a 9,7 km ficaria cerca de 7 metros abaixo da linha de visão de um observador rente à água.
  • Rowbotham defendia investigar só pelos sentidos e pela experiência, sem aceitar teorias prontas.
  • Depois de sua morte, Lady Elizabeth Blount fundou a Universal Zetetic Society (1893).

O que diz a versão oficial

Para os físicos, o experimento de 1838 foi feito rente à água, onde a refração atmosférica é forte e variável: o ar frio sobre a água curva os raios de luz e pode “levantar” objetos distantes. Repetições com a linha de visão mais alta, como a de Alfred Russel Wallace em 1870 e a de Henry Yule Oldham em 1901, registraram a curvatura esperada.

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