Dossiê do Firmamento · Cosmologias antigas · 2 min de leitura

Cosmas Indicopleustes e o universo-tabernáculo

Um monge do século VI desenha a terra plana a partir da Bíblia

Por volta do ano 550, um ex-mercador de Alexandria que tinha navegado até a Índia — por isso chamado Indicopleustes, “o que navegou à Índia” — escreveu a Topografia Cristã. Nela, Cosmas sustenta que o universo tem a forma do Tabernáculo de Moisés: uma terra plana e retangular, cercada pelo oceano, com paredes que sobem até uma abóbada; o Sol se esconde à noite atrás de uma grande montanha ao norte. A obra, ilustrada com diagramas que chegaram até nós em manuscritos bizantinos, é o tratado cristão antigo mais completo a favor da Terra plana.

Pontos-chave

  • A Topografia Cristã tem doze livros e foi escrita em grego por volta de 547–550.
  • O manuscrito mais famoso, com as ilustrações, é o Vaticano grego 699 (século IX).
  • Para Cosmas, o Tabernáculo era uma maquete do universo revelada a Moisés (Êxodo 25:40; Hebreus 8:5).
  • A noite seria causada por uma montanha cônica ao norte, atrás da qual o Sol passa.
  • Lactâncio (c. 250–325) já ridicularizava a ideia de antípodas, “homens de cabeça para baixo”.

O que diz a versão oficial

Os historiadores lembram que Cosmas era minoria: a maior parte dos estudiosos medievais — como Beda, o Venerável (século VIII), e Sacrobosco, autor do Tratado da Esfera (c. 1230) — ensinava que a Terra é esférica. A ideia de que “na Idade Média todos acreditavam na Terra plana” se popularizou no século XIX, com escritores como Washington Irving.

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