Dossiê do Firmamento · Cosmologias antigas · 6 min de leitura

O firmamento na Bíblia hebraica

O raqia, as águas de cima, as colunas da terra e as janelas do céu

Logo no segundo dia da criação, o Gênesis descreve Deus fazendo um raqia — palavra hebraica que vem do verbo “bater, estender batendo”, como se faz com uma chapa de metal — para separar as águas de baixo das águas de cima. Os tradutores gregos chamaram essa estrutura de stereōma, “o que é firme”, e os latinos de firmamentum. Para os pesquisadores do firmamento, o texto descreve um céu sólido, em forma de abóbada, sobre uma terra fixa que tem fundamentos e colunas. Este dossiê reúne os versículos, a história das palavras e o debate sobre como lê-los.

Pontos-chave

  • Raqia (רָקִיעַ) deriva de raqa‘, “bater, achatar, estender” — o mesmo verbo usado para metal batido em lâminas (Êxodo 39:3; Números 16:38–39).
  • A Septuaginta (séc. III a.C.) traduziu por stereōma, “estrutura firme”; a Vulgata de Jerônimo (c. 400) por firmamentum.
  • Sol, Lua e estrelas são “postos no firmamento” (Gênesis 1:17) — dentro dele, não além.
  • Há águas acima do firmamento (Gênesis 1:7; Salmo 148:4) e “janelas do céu” que se abrem no dilúvio (Gênesis 7:11).
  • A terra tem fundamentos e colunas e “não será abalada” (Salmo 104:5; 1 Samuel 2:8; Jó 38:4–6).

O que diz a versão oficial

A astronomia e a geodésia descrevem a Terra como um corpo aproximadamente esférico, sem cúpula sólida: satélites, navegação, voos e medições de gravidade dependem desse modelo. Boa parte dos teólogos lê o firmamento como linguagem poética ou “fenomenológica” (descrição de como o céu parece a quem o observa) e lembra que Jó 26:7 diz que Deus “suspende a terra sobre o nada”.

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