Dossiê do Firmamento · Cosmologias antigas · 3 min de leitura

O Livro de Enoque e as portas do céu

Os portais do Sol, os ventos que sustentam o firmamento e os confins da terra

O Primeiro Livro de Enoque é uma coleção de textos judaicos escritos entre os séculos III e I a.C., preservada inteira apenas em ge’ez, a língua antiga da Etiópia, e citada no Novo Testamento (Judas 14–15). Sua parte astronômica, os capítulos 72 a 82, descreve o Sol e a Lua entrando e saindo do céu por seis portais no oriente e seis no ocidente, conduzidos por carros movidos pelo vento, e apresenta um calendário de 364 dias. Em outros capítulos, Enoque é levado aos confins da terra, onde vê as colunas do céu e o lugar em que o céu repousa. Para os pesquisadores do firmamento, é o retrato mais detalhado de um cosmos com domo que a Antiguidade deixou.

Pontos-chave

  • 1 Enoque tem 108 capítulos em cinco livros: Vigilantes (1–36), Parábolas (37–71), Livro Astronômico (72–82), Visões (83–90) e Epístola (91–108).
  • Fragmentos em aramaico foram encontrados em Qumran, entre os Manuscritos do Mar Morto (4Q201–212), inclusive da parte astronômica (4Q208–211).
  • A carta de Judas (versículos 14–15) cita Enoque quase palavra por palavra (1 Enoque 1:9).
  • É livro canônico na Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo até hoje.
  • O ano de Enoque tem 364 dias: 12 meses de 30 dias mais 4 dias acrescentados nas estações.

O que diz a versão oficial

Os historiadores da astronomia veem o Livro Astronômico como um esquema de calendário, com influência da astronomia babilônica, e não como uma descrição medida do céu. O livro não faz parte do cânon judaico nem da maioria das igrejas cristãs; apenas a Igreja Etíope o aceita como Escritura.

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